Em abril, a União desembolsou nada menos que R$ 377,05 milhões para pagar dívidas garantidas de estados e municípios. Pode parecer valor alto, mas é só um fragmento do que já foi pago desde 2016 — quando os repasses ultrapassaram assustadores R$ 87,89 bilhões. E o curioso? A maioria desses pagamentos é para ajudar uns poucos estados — aqueles que não conseguem segurar suas contas e dependem diretamente da ajuda federal para evitar o caos financeiro.
Quem puxa o calote?
O Estado do Rio de Janeiro permanece imbatível no ranking de necessidades, com R$ 297,64 milhões pagos só em abril e um acumulado absurdo de R$ 790,49 milhões em 2026 — ou seja, quase 58% de toda a ajuda da União. Não muito atrás, o Rio Grande do Sul também engole um pedaço gigantesco: R$ 75,56 milhões só no mês e R$ 465,30 milhões no ano. O Rio Grande do Norte é o terceiro no pódio, mas já bem menor, com R$ 3,66 milhões pagos em abril e R$ 90,54 milhões no ano.
As pequenas pontas
Alguns municípios aparecem na lista, como Paranã (TO) e Santanópolis (BA), que receberam valores simbólicos — R$ 109,07 mil e R$ 70,15 mil, respectivamente. Parece pouco, mas ao somar milhões, até o pequeno detalhe pesa.
Por que essa conta não fecha?
Mesmo depois de pagar quase R$ 88 bilhões, a União recuperou apenas R$ 6,04 bilhões — um montante ridiculamente baixo. O motivo? Muitos desses estados participam de planos especiais, como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que suspende temporariamente a execução das contragarantias. Em outras palavras, o dinheiro público é usado para cobrir dívidas, mas a volta desse dinheiro é empurrada para frente, deixando a conta pendente.
Esse cenário levanta questões urgentes sobre responsabilidade fiscal e equilíbrio das contas públicas. Até quando será possível sustentar esses empréstimos sem recorrer ao bolso do contribuinte? A verdade incômoda é que esses números expõem um problema estrutural que não vai sumir com medidas paliativas.
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