A guerra impactou os preços dos combustíveis de maneira severa, mas a inflação não deve parar por aí. Um novo e bastante inquietante protagonista surge no horizonte: o setor de alimentos. É um cenário de “tempestade perfeita” que ameaça não só 2025, mas também 2026 e 2027. A conjuntura econômica parece estar se complicando para o Banco Central, que terá um enorme desafio para controlar a inflação e alcançar a meta de 3% do IPCA.
O choque dos fertilizantes e o clima conspiram contra
O aumento dos preços de fertilizantes, pressionados por tensões geopolíticas como a guerra entre Estados Unidos e Irã, já era uma preocupação. Mas agora, adiciona-se o fator climático: a possibilidade real de um El Niño forte em 2026. Se isso acontecer ao mesmo tempo em que o Sudeste enfrenta seu período seco, a combinação pode ser devastadora para a oferta agrícola.
Impactos no bolso do consumidor
Alimentos e bebidas compõem cerca de 21,3% do IPCA e 24,3% do INPC, e os preços desses produtos têm mostrado uma sensibilidade alarmante aos custos do petróleo e dos fertilizantes. Carnes, ovos, leite e até panificados já começam a refletir as pressões desses custos, e o repasse para o consumidor pode ser rápido e agressivo.
Projeções preocupantes para 2026 e 2027
Para 2026, a estimativa mais extrema do cenário da Warren Investimentos aponta para um impacto de até 2 pontos percentuais adicionais no IPCA, com efeitos arrastados para 2027. Economistas, como Sergio Vale e Gustavo Cruz, apontam que o mercado agrícola já tenta se proteger, travando preços em patamares elevados – e quem paga a conta é sempre o consumidor final.
Se o El Niño se confirmar forte, o impacto mensal na inflação pode chegar a até 0,49 ponto percentual em meses críticos. O impacto não se restringirá a alimentos in natura: commodities, cereais e até a alimentação fora de casa também sofrerão o baque, alavancando uma inflação de alimentos que pode beirar 10% em 12 meses.
O Banco Central, em alerta vermelho
Em um ambiente já pressionado, com o IPCA mostrando resistência, a pressão vinda dos alimentos é um ingrediente perigoso. Acima disso, a combinação de crise climática, política e cambial complica demais o horizonte. Para o consumidor, preparar o bolso para mais aperto é inevitável.
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