O início de 2026 surpreendeu os economistas ao mostrar um volume de serviços acima das expectativas. Em janeiro, o setor não apenas se recuperou de uma queda em dezembro, mas destacou segmentos menos vulneráveis à oscilação econômica, como informação e comunicação e o grupo “outros serviços”. Será que isso significa que vivemos um cenário otimista para a economia neste começo de ano?
Serviços e Resiliência: um cenário que ninguém esperava?
Os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgados pelo IBGE, mostraram um crescimento de 0,3% em janeiro frente a dezembro, número que ultrapassa o consenso de mercado. No comparativo anual, o setor avançou 3,3% – outra surpresa positiva.
Destaques para setores menos cíclicos
André Valério, economista do Inter, salienta que o resultado se deve, principalmente, a setores como tecnologia da informação, que cresceu 3,4%, e outros serviços, que tiveram recuperação importante após queda em dezembro. A robustez dos serviços de informação e comunicação foi crucial, representando quase metade do crescimento total do setor nos últimos 12 meses.
Mas, haverá fôlego para manter o ritmo?
No entanto, não dá para esquecer que segmentos mais sensíveis, como serviços prestados às famílias, recuaram 1,2% em janeiro. É um lembrete claro da desaceleração econômica induzida pela alta dos juros – um ambiente que tende a limitar o consumo e investimentos.
PIB em alta, mas com os pés no chão
Analistas de grandes bancos como Bradesco e XP Investimentos apontam que essa recuperação é, em grande parte, uma recomposição após o tombo de dezembro, sinalizando um PIB forte para o primeiro trimestre, mas sem alterar a expectativa de desaceleração gradual para o ano.
Rodolfo Margato, da XP, destaca que a inflação menor e o aumento da renda disponível ainda compensam os juros elevados, enquanto Rafael Perez, da Suno, é mais otimista: vê um ciclo de digitalização e aumento da renda que pode manter a expansão dos serviços em patamares elevados.
Conclusão: Otimismo com cautela
Então, estamos diante de um setor de serviços mais resiliente do que se imaginava, capaz de sustentar um PIB forte para o começo do ano. Mas não é hora para euforias: a desaceleração caminha ao lado, guiada por juros altos e pelas incertezas internas e externas.
Para o Brasil, o equilíbrio entre esses fatores será o jogo do ano. Resta esperar se a força dos serviços, especialmente do setor de tecnologia e comunicação, continuará a impulsionar a economia como tem feito até aqui.
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