Não faz muito tempo, crescer menos de 100 mil vagas por mês nos EUA era sinal amarelo para a economia. Agora, esse número magro já é suficiente para manter o desemprego em patamares baixos e segurar o temperamento do Fed. É essa a nova realidade que o mercado de trabalho americano vive.
O que esperar do relatório de empregos de abril
Na sexta, às 8h30 ET, o Bureau of Labor Statistics deve trazer um crescimento pífio de apenas 55 mil empregos em abril. Parece pouco? É, realmente é, principalmente se considerarmos o boom dos últimos anos. Mas também basta para manter a taxa de desemprego em 4,3%, um patamar relativamente saudável.
Mercado estável, mas longe de homogêneo
David Tinsley, economista do Bank of America, não se cansa de frisar a estabilidade “relativa” desse mercado. Março até surpreendeu com um saldo de 178 mil novos postos, o melhor desde dezembro de 2024, mas a média dos últimos 12 meses mal chega a 22 mil. Excluindo o setor de saúde, o saldo é negativo — um alerta para quem pensa que está tudo lindo.
Quem ganha e quem perde no “K” do mercado
Aquele famoso formato K que virou chavão para a economia está mais vivo do que nunca. Tinsley aponta que, embora a média salarial tenha subido 3,8% ao ano, a realidade é uma luta desigual. O terço superior da pirâmide – os ganhos mais altos – ganhou 6% de aumento real, enquanto o grupo mais baixo mal passou de 1,5%, muito abaixo da inflação de 3,5%. Traduzindo: o trabalhador comum perdeu poder de compra. Quer coisa mais cruel?
Além disso, pequenas empresas estão encolhendo no quesito contratações nos últimos meses, outro sinal de alerta para a resiliência do mercado.
Fed em xeque diante das señales confusas
As disparidades nos dados deixam o Federal Reserve numa encruzilhada. De um lado, números “duros” falam em estabilidade; de outro, pesquisas de sentimento do consumidor apontam para desaceleração. John Williams, presidente do Fed de Nova York, admite que a situação é cheia de “sinais conflitantes”.
Por enquanto, o mercado aposta que a estabilidade do emprego e a inflação ainda elevada vão manter os juros congelados até o fim do ano. Williams acredita que a política monetária do Fed está “bem posicionada” para essa fase, mas fica o aviso: é preciso ficar atento para mudanças no cenário.
Não se engane: a aparente calmaria do mercado de trabalho pode esconder tempestades para quem está na base da pirâmide econômica.
Fonte: cnbc
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