Estamos às vésperas da temporada de resultados nos Estados Unidos, e as expectativas ainda dançam no ritmo de números otimistas demais. Helen Jewell, CIO internacional de ações fundamentais da BlackRock, balança essa euforia com um recado direto: os lucros previstos para 2026 precisam ser ajustados para baixo. A razão? A inflação pesada que fermenta com a guerra no Oriente Médio.
Projeções de lucros em xeque
Quem tem acompanhado sabe que as expectativas para os lucros das empresas americanas estão robustas, na casa dos dois dígitos – entre 15% e 18%. Só que essa realidade parece descolada da pressão inflacionária que o conflito armado está causando, especialmente nos preços do petróleo e matérias-primas essenciais. Jewell observa um contraste claro: enquanto alguns setores, como energia e materiais, podem até avistar um aumento nos ganhos, o peso da inflação e das taxas de juros bate forte em segmentos como o de companhias aéreas.
Sinais de um cenário mais nebuloso
Já não é só conversa. O índice de momentum de lucros do Citigroup, que vinha favorecendo revisões para cima, virou negativa na última sexta – a maior disparidade no rebaixamento em quase um ano. Ainda assim, o consenso segue otimista, prevendo crescimento de 16% no lucro por ação do S&P 500, algo que não se vê desde 2021.
Mas será que faz sentido manter essas projeções diante da volatilidade do mercado global e dos conflitos geopolíticos? Provavelmente não. Os preços do petróleo não vão se estabilizar tão cedo, e o impacto inflacionário deve continuar pressionando as margens.
Juros, inflação e ajuste de rota
Quem apostava em um afrouxamento das políticas monetárias cometeu um erro de leitura. O conflito reconfigurou cenários – o Banco Central Europeu, por exemplo, pode subir juros para tentar domar a inflação crescente. E os mercados vão precisar digerir isso.
Para Jewell, a estratégia é clara: o foco deve estar em “vencedores estruturais de longo prazo” – energia e defesa, setores que ganham com a nova realidade de segurança global e dependência energética. Não é hora de romantizar ganhos milagrosos; é momento de ajustar a mira no real.
Se o mercado continuar subestimando a inflação e as tensões, o preço dos ajustes poderá ser alto demais.
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