A sensação é clara: o salário até sobe, mas aquela conta do supermercado não para de subir também. Rodrigo Simões, diretor da FAC-SP, dá o diagnóstico que muitos já desconfiavam: o brasileiro sofre porque a renda não acompanha o custo de vida e isso tem explicações bem concretas — baixa qualificação da mão de obra, baixa produtividade e uma economia que teima em se fechar para o mundo.
Por que a renda não cresce ao ritmo dos preços?
Esses três fatores são o tripé que mantém o Brasil emperrado economicamente. A baixa qualificação limita o acesso a empregos melhores e a baixa produtividade força o brasileiro a trabalhar horas extras só para manter o básico. Sem ser uma economia de fato aberta, o país fica refém do crescimento lento e da pouquíssima inovação.
Inflação: percepção versus realidade
Mas por que, mesmo com os dados oficiais mostrando alguma estabilidade, mantemos a sensação de que tudo está mais caro?
Heron do Carmo, da FEA-USP, explica que o consumidor sente a inflação de acordo com o que realmente compra — itens do dia a dia que não param de subir, como comida e transporte. Sobra no noticiário falar do IPCA, que reúne famílias com renda até 40 salários mínimos, mas pouco se fala do INPC, que captura melhor a inflação para quem ganha até 5 salários mínimos e é quem mais sofre na prática.
O impacto da pandemia e do endividamento
Alexandre Maluf, da XP, traz outro ponto crítico: o choque da pandemia elevou os preços e, embora tenha havido alguma desinflação em alimentos, o impacto do endividamento faz as famílias sentirem a perda do poder de compra de modo mais agudo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também expressou essa preocupação na última conferência do BC. Para ele, o desafio não é só controlar a inflação oficialmente, mas conseguir recuperar a confiança da população, que vive a inflação no bolso todos os dias.
Enquanto isso, o Brasil segue com uma missão travada: melhorar a educação, abrir a economia e aumentar a produtividade antes que a sensação de aperto no orçamento vire um problema crônico.
—-
Aviso Legal: Este conteúdo tem fins exclusivamente educativos e informativos. As informações aqui apresentadas não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. Investimentos envolvem riscos e decisões devem ser tomadas com base em sua própria análise ou com o auxílio de um profissional certificado.
O site https://calculadoraporcentagem.com.br preza pela transparência, porém, não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base neste conteúdo. O mercado financeiro é volátil e cada estratégia deve ser individualizada. Antes de investir, consulte um assessor de investimentos credenciado pela CVM.