Renda em alta, dívidas também: o dilema do trabalhador brasileiro

O mercado de trabalho brasileiro está esquentando: mais gente empregada e salário em alta. Parece notícia boa, não? Só que não. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) revelou um paradoxo cruel: apesar da renda recorde, o alívio financeiro para a população é quase zero. Por quê? Porque o aumento dos ganhos está sendo rapidamente engolido por dívidas, juros e parcelas. Sim, o endividamento das famílias voltou a ser uma dor de cabeça para a política econômica do país.

Brasil com emprego recorde, mas no aperto financeiro

Olha só os números: no trimestre até janeiro de 2026, a renda média real subiu e chegou aos R$ 3.652, enquanto a massa de rendimento pulou para R$ 370,3 bilhões. Sem falar dos 102,7 milhões de brasileiros ocupados – um número histórico. Tudo lindo, certo? Só que as dívidas familiares bateram na porta, chegando a quase metade da renda disponível, algo que não acontecia desde julho de 2022.

Dívidas crescendo: o que isso quer dizer?

Quer dizer que quase um terço do que o brasileiro ganha já está comprometido só para pagar contas atrasadas e empréstimos. O crédito consignado, que teoricamente ajudaria a baratear o custo da dívida, virou uma armadilha. Em março, as concessões para trabalhadores do setor privado saltaram 52%, mas o saldo foi um aumento real do endividamento. Trocar uma dívida cara por uma “menos cara” não adianta se o total só aumenta.

Crédito barato? Só na teoria

O Banco Central já alertava que a facilidade para acessar crédito consignado poderia sair caro. É o que aconteceu: a parcela da renda comprometida pelas dívidas subiu de 28% para 38% em menos de um ano para quem fez esse tipo de empréstimo. A promessa de alívio se transformou num pesadelo cotidiano.

Alta dos juros e limite fiscal: o calcanhar de Aquiles

O governo tentou turbinar o consumo com a elevação dos gastos públicos e o crédito farto, mas isso puxou a inflação para cima — e o Banco Central respondeu com os juros mais altos em quase duas décadas. Resultado? A taxa média do crédito para pessoas físicas está beirando inacreditáveis 61,5% ao ano e a inadimplência já ameaça índices preocupantes. E fiscalmente, não há muito mais espaço para manobras: a dívida pública só aumenta, chegando perto dos 87% do PIB em 2027.

A saída não é simples. Mais crédito e mais gastos públicos não criam prosperidade real, apenas empurram o problema para frente. O CLP sugere medidas duras: controlar despesas, focar em redução de juros e até vender ativos públicos para retomar o fôlego financeiro. Porque, como alerta Daniel Duque, head de Inteligência Técnica do CLP, “o ciclo de gasto, crédito, consumo e emprego comprou tempo, mas não comprou sustentabilidade. Agora, a conta chegou”.

Fonte: Infomoney

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