Mercado de Trabalho Brasil: Fim da Queda do Desemprego?

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de entrevista coletiva à imprensa em Brasília 28/08/2025 REUTERS/Jorge Silva

O mercado de trabalho brasileiro começa a mostrar os primeiros sinais de acomodação, colocando fim a um ciclo de recordes baixos de desemprego. Depois de meses de melhora contínua, a taxa de desocupação saltou para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, um aumento frente aos 5,2% registrados no trimestre anterior. Mas calma, ainda é um patamar muito baixo, o que intriga economistas e desafia a visão do mercado.

O que dizem os economistas sobre essa mudança?

André Valério, economista sênior do Inter, enfatiza que o mercado de trabalho segue robusto, com a população ocupada perto do pico e um rendimento real em crescimento de 2% no último trimestre. Ainda assim, ele observa que setores menos sensíveis às oscilações econômicas — como informação, comunicação e serviços financeiros — continuam puxando a criação de vagas. Para Valério, a alta da taxa de juros parece ter esfriado o mercado, que já está perto do seu “ponto de virada”.

Normalização ou esfriamento?

Ariane Benedito, do PicPay, tem um olhar crítico: enquanto reconhece a acomodação, vê um enfraquecimento mais generalizado na absorção de mão de obra e aumento da subutilização. Mas ela pondera que parte do movimento é sazonal e reflexo da “normalização” após um período de números muito fortes. Desde perda de vagas na administração pública até menor demanda em construção, o cenário parece um ajuste, não uma crise.

Perspectivas para o restante de 2026

  • Leonardo Costa (ASA): Mercado opera em patamar apertado, com emprego e massa salarial em alta, sustentando o consumo e pressionando a inflação de serviços.
  • Claudia Moreno (C6 Bank): Enxerga estabilidade da taxa de desemprego num nível historicamente baixo, prevendo que o mercado continue aquecido durante o ano.
  • Rafael Perez (Suno Research): Identifica desaceleração na ocupação e carteira assinada, com possível aumento gradual do desemprego para cerca de 6% até o fim do ano.
  • XP Investimentos: Projeta desemprego em 5,6% ao fim de 2026, com moderação, mas sem reversão rápida da tendência apertada do mercado.

O resumo? O país segue com um mercado de trabalho forte e resiliente, mas com sinais claros de desaceleração. Isso deve fazer o Banco Central pisar no freio nos cortes de juros e ajustar expectativas econômicas. O verão desse emprego espetacular pode estar chegando ao fim, mas o inverno ainda está longe.

Fonte: Infomoney

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