Os números do mercado de trabalho dos EUA em março mostraram algo que não se via com tanta clareza há meses: a economia está, sim, contratando de verdade. E isso mexe diretamente com os planos do Federal Reserve (Fed) para as taxas de juros. Em vez de cortar, o Fed deve manter tudo como está, pelo menos no futuro próximo.
Contratações em vários setores puxam a economia
O relatório oficial apontou a criação de 178 mil vagas, muito acima do esperado. O destaque? A manufatura, que ganhou 15 mil empregos, o maior avanço desde novembro de 2023. Construção, lazer, hospitalidade e transporte também cresceram na mesma linha. E não é só quantidade: a qualidade do emprego está melhorando, com salários crescendo a uma taxa anual respeitável de 3,5%, dentro do que o Fed considera sustentável para sua meta de inflação.
Emprego mais forte, corte de juros mais distante
O Fed estava inquieto justamente porque os ganhos anteriores estavam concentrados no setor de saúde — um sinal preocupante de fragilidade oculta no restante da economia. Agora, com uma expansão mais sólida e diversificada, o apetite por reduzir os juros diminui. O economista Bill Adams foi direto: “Seria preciso uma grande surpresa para o Fed cortar agora”. Provavelmente, o banco central ficará de prontidão por pelo menos uma ou duas reuniões.
Mercado em transição e riscos geopolíticos
A guerra entre EUA e Irã, que elevou os preços do petróleo em mais de 50%, mudou completamente o cenário. Antes, os investidores imaginavam um alívio nas taxas com a troca na presidência do Fed. Agora, é a cautela que reina, porque o impacto do choque energético na inflação e no crescimento ainda é uma incógnita.
Vale lembrar que o relatório de março não reflete esses efeitos ainda. E o Fed seguirá monitorando dados, especialmente a inflação que sai em breve, antes de decidir qualquer movimento. Mas a verdade é que o mercado de trabalho americano continua resistindo e surpreendendo até os mais céticos, e isso pesa contra qualquer flexibilização monetária abrupta.
Esse mercado vigoroso, misturado à incerteza geopolítica, deixa claro que o caminho do Fed não será simples, nem previsível. A economia vai exigir foco, paciência e muita análise cuidadosa nos próximos meses.
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