As ações da Embraer (EMBJ3) deram um tombo de 11,01% na última quinta-feira (12), e a sequência não foi nada agradável: o mês de março acumula perdas de quase 20%, e o ano fecha até aqui com queda de 15,65%. Nos Estados Unidos, os ADRs da companhia (ERJ) não ficaram atrás, recuando 12,92% – um dos piores desempenhos da firma na bolsa nova-iorquina em uma década. Será que a queda expressiva é justificada? Ou estamos diante de mais um exagero momentâneo do mercado?
Um passado conturbado que pesa no presente
Se olharmos para a história recente da Embraer, vemos que crises marcam os piores dias das suas ações. Dos 10 maiores mergulhos dos últimos dez anos, 7 aconteceram durante a pandemia, com um pico cruel em março de 2020, quando lockdowns derrubaram o setor aéreo.
Curiosamente, apesar desses trancos, o preço das ações mostrou reação em algumas dessas quedas mais severas: em 3 ocasiões, os papéis recuperaram parte da perda em até 30 dias – com ganhos médios de 4%. Em 3 outras, a recuperação vinha a longo prazo, de até 90 dias, com alta média de 6%. Então, não é sempre que a queda inicial vira desastre definitivo.
O que o JPMorgan está vendo?
Para os analistas do JPMorgan, o tombo da última quinta-feira foi exagerado. O banco continua recomendando exposição acima da média (overweight), com preço-alvo em R$ 109 para EMBR3 e US$ 84 para o ADR ERJ. Mas as preocupações não desaparecem. O calo do mercado é a chance concreta de atrasos ou cancelamentos na gigantesca carteira de pedidos da Embraer, avaliada em US$ 31,6 bilhões, sendo quase metade dela na aviação comercial.
Esse receio é puxado pela alta dos preços do petróleo no meio do conflito no Irã, que pressiona o setor aeroespacial. Segundo os cálculos da equipe, uma contração de 11% no valor da empresa pode significar um corte de 25% na carteira de pedidos comercial. O efeito cascata mina os lucros, com quedas severas no Ebitda caso as entregas sejam revisadas para baixo.
Múltiplos que indicam uma barganha?
Apesar dos problemas, o preço da Embraer parece descontar demais o cenário ruim. O múltiplo EV/Ebitda projetado para 2026 é 8,9 vezes, abaixo de concorrentes como Air France, Boeing e Bombardier. Ou seja, o mercado pode estar penalizando a empresa de forma exagerada — um convite à paciência para os investidores mais atentos.
Carteira de pedidos vulnerável
Por fim, vale destacar os 57 jatos a cumprir ligados a companhias aéreas do Oriente Médio e novas operações, que somam algo em torno de US$ 4,8 bilhões no papel, mas só devem gerar cerca de US$ 3 bilhões em receita real. Essa faixa de pedidos é a que mais corre risco no atual cenário, agarrada às oscilações do petróleo e à instabilidade geopolítica. Mas será que isso justifica um tombo tão brutal em um único dia?
De difícil resposta, a dúvida permanece. Embraer enfrenta ventos contrários fortes, sim. Mas há espaço para recuperação e ajuste no preço das ações antes que os impactos mais dramáticos se comprovem. Cuidado com o pânico e atenção para os sinais de qualquer virar de página.
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