Em ano eleitoral, o preço do diesel virou uma pedra no sapato do governo federal. Com pouco espaço para manobra, o Palácio do Planalto tenta segurar uma escalada que ameaça disparar a inflação e impacta diretamente o agronegócio — um setor que segura boa parte da economia brasileira. As medidas já tomadas, entre subsídios, cortes de tributos e fiscalização intensa, funcionam como um remendo temporário frente a um problema que, para piorar, vem de fora: a guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo no mercado internacional.
O aperto nos fretes e o efeito dominó na economia
Desde o início da crise no fim de fevereiro, o custo do diesel aumentou quase 20%, provocando uma reação em cadeia para lá de preocupante. Transportadoras já estariam recuando de contratos, assustadas com a conta do combustível, o que pressiona a logística do país e acende um enorme sinal vermelho para os preços dos alimentos.
Medidas adotadas: entre impostos e subsídios
- O governo zerou PIS/Cofins sobre o diesel, reduzindo o preço em cerca de R$ 0,32 por litro;
- Ofereceu uma subvenção para produtores e importadores no mesmo valor, potencialmente aliviando até R$ 0,64 por litro;
- Instituiu imposto de exportação de 12% sobre o petróleo para incentivar o refino interno;
- Reforçou a fiscalização, com a ANP e Senacon atuando para coibir abusos e reajustes injustificados.
No entanto, a sombra do impasse fiscal e político paira sobre novas ações. Quando o economista João Leme lembra que o espaço para manobras é restrito pelas regras orçamentárias e até eleitorais, fica claro que a solução não é simples. Reduzir o ICMS, por exemplo, custaria aos estados cerca de R$ 60 bilhões, algo impraticável na prática.
Soberania energética: o longo prazo que não pode esperar
Mais do que paliativos, o grande desafio é estrutural. O Brasil precisa ampliar sua capacidade de refino para diminuir a dependência das importações ainda expressivas. E, claro, fomentar a mistura do biodiesel no combustível. Medidas eficazes só virão com mudanças profundas, que escapam da urgência do dia a dia e enfrentam interesses políticos e econômicos enraizados.
O governo faz o que pode, mas segurar um preço internacional em alta, num contexto tão volátil, é tarefa para poucos. E o risco de que a alta do diesel contamine a inflação e provoque um efeito cascata ainda maior está aí, na cara de todos. Em outras palavras: o drama do diesel é a prova viva de que crises globais podem derrubar governos locais — ou, pelo menos, dificultar muito qualquer perspectiva de estabilidade econômica.
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