Judicialização dispara e desafia operadoras de planos de saúde

O aumento das ações judiciais contra operadoras de planos de saúde não é uma novidade, mas os números recentes mostram que o problema está longe de desacelerar. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou dados preocupantes para abril, e o Bradesco BBI não hesita em afirmar que essas estatísticas ainda devem ser revisadas para cima. Afinal, um crescimento de 25% nas ações em primeira instância e nas varas cíveis especiais em relação ao ano anterior não é algo que qualquer empresa queira enfrentar.

Judicialização: um problema que não quer ir embora

Para as operadoras de saúde, como Hapvida (HAPV3) e SulAmérica, o cenário é desafiador. O impacto financeiro não é pequeno, já que as provisões para contingências cíveis pesam nos resultados de curto prazo. A Hapvida, que recentemente ressaltou a judicialização como um obstáculo significativo, está buscando mudar o jogo. Lucas Adib, diretor-presidente da companhia, admite que “ferramentas antigas” não são suficientes. Por isso, a empresa aposta em ampliar o diálogo com médicos, usar automação e analisar novas teses jurídicas para tentar frear o avanço das ações ainda na ponta assistencial.

O custo da judicialização na prática

  • R$ 37 milhões em novos bloqueios líquidos judiciais no último trimestre;
  • Despesas com contingências e tributos equivalentes a 3,6% da receita líquida;
  • Queda de 41,4% no lucro líquido ajustado, chegando a R$ 244 milhões;
  • Ebitda ajustado de R$ 803 milhões, queda anual de 20%, mas acima das expectativas de mercado.

Curioso é que, apesar desses números nebulosos, a percepção do mercado não é totalmente negativa. A redução sequencial da sinistralidade e o avanço do tíquete médio apontam para uma melhora operacional inicial. Mas não se engane: a pressão sobre lucro e a perda de beneficiários continuam sendo fantasmas que rondam o setor.

Foco nas reclamações e qualidade do serviço

Ah, e não pense que os problemas param por aí. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontou um aumento de 19% no Índice Geral de Reclamações (IGR) em abril, frisando a insatisfação crescente dos usuários. A Hapvida viu seu índice disparar 24% na comparação anual, enquanto a SulAmérica também sentiu a pressão com um aumento de 17%.

Isso mostra que o desafio não é apenas financeiro, mas também reputacional. Reclamações — sobre assistência médica, cobranças, prazos — se tornam combustível para a ansiedade dos investidores e, claro, para o crescimento da judicialização.

Em um setor onde a confiança é tudo, será que as estratégias da Hapvida e outras operadoras vão dar conta? Ou estamos apenas vendo o começo de uma bola de neve?

Fonte: Infomoney

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