O mercado de títulos norte-americano está enviando um sinal claro: o Federal Reserve precisa acelerar a resposta à inflação. Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, não tem dúvidas ao afirmar que a nova gestão do Fed terá que reavaliar sua postura diante dos números recentes.
O que dizem os mercados?
Quando o rendimento dos títulos do Tesouro de 2 anos (US2Y) supera a taxa básica de juros (FFR), algo está fora do lugar. É exatamente isso que está ocorrendo. Os investidores estão dizendo que o atual nível da taxa de juros não é suficiente para conter a inflação. Eles esperam que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) substitua a postura de flexibilização por uma linha mais dura, apertando os juros.
Por que isso importa?
- A inflação não dá trégua e voltou a acelerar após o conflito no Irã.
- Em abril, o índice de preços ao consumidor (CPI) registrou alta anual de 3,8%, a maior desde 2023.
- O índice de preços ao produtor (PPI) subiu 6% em 12 meses, ritmo que não se via desde 2022.
Este cenário complica a missão de Kevin Warsh, o novo presidente do Fed e nome de Trump para suceder Jerome Powell, que promete uma “mudança de regime”. Trump pressiona por juros mais baixos, mas o mercado não está comprando essa ideia tão facilmente.
Afinal, quem manda?
Os futuros dos fundos federais mostram que os investidores não esperam cortes de juros ainda este ano. Pelo contrário, a chance de um aumento nas próximas reuniões disparou. Cinco anos de inflação acima da meta de 2% não são pouca coisa e, apesar da promessa de Warsh, a realidade pega o Fed de surpresa.
Retirar simplesmente a postura de flexibilização não vai resolver. Se a inflação não ceder, prepare-se para uma escalada das taxas. O banco central está entre a cruz e a espada, e a confiança do mercado já está pedindo mais ação, não menos.
Não é só política monetária, é uma questão de credibilidade. Se o Fed vacilar, a inflação pode se aprofundar, minando a recuperação e o poder de compra.
Fonte: cnbc
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