Finalmente, uma boa notícia para a Argentina: a inflação desacelerou pela primeira vez em 11 meses. Em meio a um cenário turbulento, marcado por choques internacionais e tensões internas, os números divulgados pelo Indec mostram que o avanço dos preços ao consumidor saiu de um salto para uma caminhada mais controlada — mesmo que ainda bem longe do ideal.
O que mudou na inflação?
Os preços subiram 2,6% em abril na comparação com março, um pouco acima da mediana esperada, mas, no aspecto anual, a inflação caiu ligeiramente de 32,6% para 32,4%. Pode parecer pouco, mas é um sinal importante. Até então, os índices só faziam subir, especialmente após o impacto do choque do petróleo causado pela guerra no Irã e os ajustes nos custos de transporte e educação.
Combustíveis e medidas de contenção
Não dá para falar de inflação na Argentina sem mencionar o combustível. Com alta de 4,4% no setor de transporte, os preços dos combustíveis foram protagonistas nessa história inflacionária. O governo, porém, mexeu as peças no tabuleiro: congelou preços via YPF, suspendeu aumentos de impostos e passou a subsidiar importações essenciais de gás, mostrando agilidade para evitar que a conta subisse mais.
Milei e a economia em xeque
Em meio a escândalos e uma popularidade em queda, o presidente Javier Milei diz que estes indicadores podem melhorar sua situação. Afinal, uma desaceleração da inflação traz alívio para a população e um respiro para a economia, ainda que os desafios sejam enormes. O ministro Luis Caputo já prometeu que os melhores meses estão por vir, apostando num crescimento mais consistente após o baque das eleições de meio de mandato.
O olhar internacional e projeções futuras
Enquanto isto, o FMI prepara a votação da segunda revisão do programa de US$ 20 bilhões para a Argentina, com a possibilidade de liberar mais US$ 1 bilhão. Já os economistas do Banco Central revisaram a projeção de inflação para 2026, elevando-a para 30,5%, e cortaram a previsão de crescimento para 2,8% — uma faca de dois gumes que reflete a realidade incerta do país.
Então, será essa desaceleração um alívio passageiro ou o começo de um cenário mais estável? A Argentina ainda tem um longo caminho pela frente, mas, por ora, a inflação parece ter dado uma trégua, mesmo que essa guerra econômica siga longe de acabar.
Fonte: Infomoney
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