Brasil na corda bamba: petróleo em alta pode frear corte da Selic e impactar a economia
Enquanto o mundo observa apreensivo o conflito entre EUA e Irã, o Brasil sente os efeitos dessa tensão de longe, mas nem por isso menos impactantes. A XP Investimentos acaba de lançar seu relatório macroeconômico mensal e, pasme, o cenário brasileiro pode mudar de figura por conta dos preços do petróleo – uma commodity que, embora distante dos holofotes brasileiros, mexe com nossas exportações, receitas fiscais e até a inflação.
Selic e petróleo: uma dança delicada
A XP continua firme na previsão de cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual na Selic até alcançar 12,5%. Mas será que essa guinada é tão óbvia assim? Caso o petróleo suba mais forte, o Banco Central pode ficar com o pé no freio, reduzindo os cortes para apenas 0,25 ponto percentual inicialmente.
Aliás, essa cautela tem motivo: o preço do petróleo tem um papel central na inflação brasileira e, consequentemente, no ritmo do afrouxamento monetário. Apesar das tensões, a XP preferiu manter a premissa de US$ 60 por barril, ainda que os preços já tenham saltado para cerca de US$ 80 — o que, convenhamos, pode ser um saco de gatos para quem faz projeções.
Política, contas públicas e câmbio: um combo de incertezas
A corrida eleitoral esquenta os ânimos, com Flávio Bolsonaro ganhando terreno, polarizando o jogo contra Lula. Afinal, polarização não significa solução mágica. Sem falar no fantasma do déficit primário, que segue firme mesmo com arrecadação recorde, resultado de uma despesa que não sossega. E isso tudo afeta o clima do mercado, pressionando prêmios de risco e taxando o dólar a R$ 5,60 até o fim de 2026.
Prejuízo ou receita extra?
Um salto no preço do petróleo pode até ajudar na receita líquida do governo, trazendo R$ 21,4 bilhões a mais ainda este ano. Mas cuidado: mesmo com esse alívio momentâneo, a dívida pública não para de subir e os riscos fiscais vão bater na porta dos investidores no segundo semestre.
O quê esperar para o PIB e a inflação
A expectativa é de um PIB crescendo 2% em 2026, graças ao impulso na renda e crédito. Para 2027, esse ritmo desacelera para 1,2%, puxado por ajustes fiscais e uma política monetária que não vai abrir mão da rigidez facilmente.
Quanto à inflação, embora o curto prazo seja “amigo”, a pressão do petróleo pode jogar o IPCA para cima, desafiando a previsão de 3,8% em 2026 e 4% em 2027.
É um jogo de xadrez em que cada movimento externo — e interno — mexe com o tabuleiro brasileiro. E quem está mais atento, como a XP, não dá passos largos sem pensar duas vezes.
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