Petróleo em alta: alívio fiscal no Brasil esconde bomba-relógio econômica

O conflito no Oriente Médio mexeu pesado com o mercado petrolífero. E, como efeito colateral, o Brasil viu a economia respirar aliviada com uma folga fiscal inesperada para 2026. Parece ótimo à primeira vista, mas esconde um “equilíbrio precário”, como bem apontou o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 112 da Instituição Fiscal Independente (IFI), divulgado recentemente.

O choque externo que esconde dificuldades

O documento revela que o atual arcabouço fiscal do país está sobrevivendo por um fio, graças à combinação de metas cumpridas via descontos legais e uso da banda de tolerância. A folga gerada pelos preços maiores do petróleo permitiu até o fim de velhas medidas impopulares, tipo a famosa “taxa das blusinhas”. Criou-se até um tal “colchão de segurança” para evitar surpresas desagradáveis no cumprimento das metas em 2025. Mas será que isso é sustentável?

A verdade por trás do alívio

Não é segredo que os déficits primários continuam teimosos e a dívida pública, perigosa, escala sem freio. Com eleições no horizonte, não sobra espaço para reformas profundas. O relatório não acredita em cortes drásticos, apenas em medidas inevitáveis, como substituir o IPI pelo Imposto Seletivo — uma mudança técnica, mas limitada.

Além disso, o governo mantém uma visão otimista demais na sua proposta orçamentária para 2027-2030, apostando em números muito mais positivos que os próprios técnicos da IFI. Essa discrepância deixa as contas ainda mais no fio da navalha.

Gastos em alta e riscos à vista

Enquanto isso, as despesas obrigatórias, em especial a Previdência, disparam — chegando a R$ 1,027 trilhão ou 8,1% do PIB em 2025. A crescente quantidade de aposentados e o aumento dos auxílios por incapacidade colocam pressão crescente sobre o orçamento federal.

O relatório também destaca riscos que podem explodir essa equação, como as enormes demandas judiciais (que podem chegar a 17,8% do PIB!) e a saúde financeira das estatais, com destaque para os Correios, que provavelmente precisarão de aportes extras.

Em resumo: a folga gerada pelo petróleo mascara uma bomba-relógio. O jeito é ficar atento e entender que o “equilíbrio” atual não é nem de longe sinônimo de estabilidade real.

Fonte: Infomoney

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