Michael Burry, o investidor que conquistou fama durante a crise do subprime, deu um passo que chocou o mercado: vendeu toda sua posição em GameStop. Por quê? O lance audacioso da companhia para comprar o eBay mexeu com o que Burry considerava sagrado em sua estratégia, a “Instant Berkshire”, uma tese de investimento que jamais aceitaria níveis tão altos de endividamento.
O negócio que quebrou a aposta
GameStop fez uma oferta pública não solicitada para adquirir o eBay por cerca de US$ 125 por ação, o que valoriza o marketplace em impressionantes US$ 55,5 bilhões — um salto gigantesco considerando que o valor de mercado da GameStop é pouco menos de US$ 12 bilhões.
Para financiar essa compra bilionária, GameStop apresentou uma carta de financiamento de US$ 20 bilhões pelo TD Bank, mas isso ainda deixa uma lacuna enorme. Na tentativa de fechar esse negócio, a empresa teria que aumentar sua dívida para níveis estratosféricos, em torno de 7,7 vezes o EBITDA, algo que Burry classificou como “quase em situação de insolvência”.
Por que perder a fé na “Instant Berkshire”?
- Burry nunca aceitou mais que 5x de dívida sobre o EBITDA.
- Seu critério mínimo para cobertura de juros é 4x, e GameStop ficaria muito abaixo disso.
- Comparações com falências técnicas, como as de Carvana e Wayfair, pautaram seu ceticismo.
Ele chegou a dizer: “Nunca confunda dívida com criatividade”. Frase dura, mas necessária para quem viu títulos afundarem por excesso de alavancagem.
Reação do mercado e o futuro?
Após o anúncio do lance, as ações da GameStop despencaram cerca de 10%, mostrando que o mercado não está convencido. O CEO Ryan Cohen, em uma entrevista tensa, falou pouco sobre o plano detalhado de financiamento, aumentando as especulações sobre possíveis problemas na concretização do acordo.
A dúvida agora é: será que esse movimento acaba, de fato, com o sonho de transformar GameStop na “Berkshire Hathaway instantânea” que Burry via? Pelo jeito, sim. E o mais impressionante é como um aumento desenfreado de dívida pode desfazer estratégias que pareciam brilhantes.
Se você pensa em investimentos espremidos entre alavancagem e potencial de crescimento, talvez valha a pena olhar para esse caso e refletir sobre os perigos de confundir ousadia com sustentação financeira.
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