A Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta um aperto nos cintos que não é surpresa para ninguém familiarizado com suas recentes dificuldades. A notícia de que terá que cortar 10% de seus gastos, com congelamento de contratações e até redução temporária de pessoal, chega como um sinal claro: a principal instituição que regula o comércio mundial não está numa situação confortável, especialmente depois que os Estados Unidos, seu maior contribuinte, entraram na lista de inadimplentes.
OMC no fio da navalha
Desde 1995, a OMC tenta manter a ordem no comércio global, mas vem sendo testada com tarifas de guerra comercial e uma crise política interna profunda. Quando Washington começou a bloquear nomeações para o tribunal de apelações da OMC em 2019, iniciou uma paralisação que colocou em xeque sua própria autoridade. Agora, os atrasos nos pagamentos trazem uma nova camada de dificuldade financeira para a organização.
Os Estados Unidos e sua nova estratégia
É intrigante — no mínimo — que o maior financiador da OMC decida atrasar as contribuições e ainda declare que pretende seguir sua agenda comercial longe do órgão, privilegiando acordos bilaterais e regionais. Isso soa mais como um tapa na cara da multilateralidade do que como um movimento pragmático. Afinal, por que manter uma instituição enfraquecida que já não representa suas prioridades?
Medidas duras para um cenário delicado
- Corte de 39 cargos de trabalho em tempo integral e temporário;
- Congelamento do recrutamento de pessoal temporário;
- Maior uso de estagiários para reduzir custos;
- Redução das despesas com energia elétrica.
São soluções imediatas para um problema crescente: até o final de 2025, 20 membros da OMC estarão sujeitos a sanções por atraso de pagamentos. A organização precisa se reinventar, mas cortando gastos de forma tão brusca, corre o risco de perder a capacidade de resposta e relevância.
Em síntese, a OMC está sendo empurrada para um beco sem saída. Se o maior ator do sistema quer se afastar e os recursos rareiam, cabe ao restante dos membros decidir se tentam salvar a estrutura ou deixam o sistema sucumbir. O comércio global não merece menos do que uma instituição forte, mas a verdade é que a OMC caminha na corda bamba — e não parece ter rede para cair.
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