Cessar-fogo global: alívio momentâneo, desafio persistente para a economia brasileira

O recente cessar-fogo envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trouxe um alívio temporário para a geopolítica mundial. Um respiro tão necessário, especialmente para a economia global, que vinha sufocada diante da disparada de quase 50% nos preços do petróleo neste ano. Mas será que essa trégua basta para reverter o cenário complicado que o Brasil enfrenta em termos de inflação e juros? A resposta parece ser “não”, pelo menos por enquanto.

O legado da alta do petróleo

O choque nos preços da energia já deixou suas marcas profundas. A XP Investimentos alerta que, mesmo com a pausa no conflito, as incertezas sobre o Oriente Médio não sumiram. A inflação global, pressionada pela carestia da energia, empurrou as taxas de juros para cima mundo afora, e isso certamente impacta de forma direta o Brasil. A inflação estimada para 2026 pela XP subiu de 3,8% para 4,8%, um ajuste significativo que reflete um estrago inflacionário que não desaparece com um simples cessar-fogo.

Margens e rigidez de preços

A Warren Rena complementa esse cenário, explicando que o aumento recente da gasolina no Brasil não é só culpa do barril de petróleo. A ampliação das margens de lucro ao longo da cadeia elevou custos de forma que eles dificilmente serão revertidos rápido. Essa famosa “rigidez de preços para baixo” torna evidente que o consumidor sente primeiro e por mais tempo o impacto das crises geopolíticas.

Taxa Selic e o aperto monetário

Com a inflação teimando em se manter alta, o Banco Central está mais cauteloso. A taxa Selic, que hoje está em 14,75%, não deve cair tão rápido quanto muitos esperavam. Itaú e Warren Rena já revisaram suas previsões para uma taxa terminal acima de 13%. E não pense que o patamar final vai ser baixo – o mercado de juros futuros aposta até em mais de 13,5%. É a clara demonstração de que o BC está pisando no freio, começando a domar as expectativas desancoradas.

Crescimento sob pressão

Mesmo ajustando para menos, o crescimento do PIB brasileiro mantém uma robustez surpreendente, perto de 1,8% a 1,9%, graças ao aumento nas receitas de exportação de petróleo. Mas essa força é mais uma resistência do que um novo ponto de partida. A economia sente o baque dos juros altos e da desaceleração internacional, enquanto o custo da energia corrói o poder de compra do consumidor. O alívio das tensões é um oxigênio momentâneo, mas não desenterra o problema.

Em resumo, a trégua geopolítica pode até contemplar uma baixa nos preços do petróleo para uns US$ 75 o barril, cenário que o Itaú já vislumbra para 2024. Porém, o caminho até essa normalização será tudo menos tranquilo. E para o Brasil, o mais provável é que os efeitos inflacionários e os juros elevados continuem a limitar nossa capacidade de crescimento por algum tempo.

Fonte: Infomoney

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