O mundo tremeu com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, enquanto o Estreito de Ormuz era fechado, ameaçando liberar uma tempestade perfeita no mercado cambial. Esperava-se uma valorização avassaladora do dólar, a moeda que historicamente funciona como refúgio em tempos de crise. Mas, pasmem, o câmbio no Brasil mostrou uma resiliência que surpreendeu até os mais otimistas. O real não afundou como se previa. E sabe o que segurou essa barra? Três fatores que formaram uma espécie de colete à prova de balas para a moeda brasileira, segundo José Alfaix, economista da Rio Bravo.
O que segurou o dólar?
No meio do caos geopolítico, a Selic a 14,75% atuou como um verdadeiro imã para os investidores. Com juro tão alto, a tentação de apostar no real compensou o risco da crise. Mas não foi só isso.
1. Juros altos como escudo
Investir no Brasil virou negócio atraente porque o retorno em renda fixa chama atenção — mesmo com a tensão global no papo. O carrego do real manteve seu charme, segurando a pressão do dólar.
2. O “fator Trump” e a perda do dólar
Quem diria que a gestão Trump deixaria um legado que abalaria a fortaleza do dólar como porto seguro? Com a credibilidade da moeda americana desgastada, o mercado mundial buscou outras alternativas. E o Brasil apareceu como uma dessas opções.
3. Papel estratégico do Brasil
Ser exportador líquido de petróleo em momento de alta no preço do barril faz toda a diferença. Enquanto Japão e outros importadores sofriam na pele o choque, o Brasil sentia menos o impacto direto na balança comercial.
Resiliência em números
Vale olhar os números para entender o tamanho da blindagem: o dólar, que antes da crise estava em R$ 5,13, terminou março cotado a R$ 5,18. Quase nenhum susto para um cenário que envolve 20% do petróleo mundial sendo interrompido. E nem o ouro, o outro tradicional porto seguro, apresentou disparada.
Pausa para a realidade
Mas calma lá: não estamos em um mar de rosas. Essa proteção cambial não significa que o mercado está tranquilo. A aversão ao risco segue pesada — as bolsas despencaram, os juros subiram, e a inflação ganhou fôlego, saltando no boletim Focus de 3,91% para 4,31%. O susto pode não ter afundado o real, mas para ativos e economia, a pressão continua firme.
Enfim, sem a Selic forte, o desgaste do dólar e a posição exportadora do país, o choque geopolítico teria causado um baque muito maior. O Brasil, ainda que em meio à tormenta, não perdeu o rumo — pelo menos no câmbio.
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