Guerra EUA-Irã: Comprar Ações Vale o Risco com o Petróleo em Alta?

Nesta colagem de fotos, à esquerda, o Presidente dos EUA, Donald Trump; e à direita, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei — Foto: MANDEL NGAN e KHAMENEI.IR / AFP

Quando o conflito entre Estados Unidos e Irã esquenta, aquela velha máxima de Wall Street volta à tona: “compre as armas, venda os trompetes”. Traduzindo, muitos investidores acreditam que comprar ações após uma escalada bélica é lucrativo, esperando uma recuperação rápida do mercado. Mas será que dessa vez esse jogo vale a pena? A tensão atual traz uma variável que não se pode ignorar: o preço do petróleo e gás natural pode disparar a ponto de derrubar o crescimento econômico, ameaçando a tão esperada retomada.

O efeito real da guerra no mercado

Henry Allen, estrategista do Deutsche Bank em Londres, joga um balde de água fria nessa visão simplista. Segundo ele, eventos geopolíticos, em geral, não sustentam reações prolongadas no mercado. A exceção? Quando causam um impacto macroeconômico claro, como pode ser o caso do confronto com o Irã. O aumento dos preços do petróleo, causado pela promessa iraniana de bloquear o Estreito de Hormuz — passagem crucial para 20% do petróleo e GNL globais —, é o principal gatilho.

A armadilha do preço do petróleo

  • Até agora, o preço do West Texas Intermediate (WTI) está abaixo da média de 2024.
  • O salto nos preços é menor que os observados na invasão da Ucrânia ou nas Guerras do Golfo.
  • Para que o índice S&P 500 despenque mais de 15%, três condições precisam se encaixar:
    • Pulo de 50% a 100% no preço do petróleo mantido por meses;
    • Esse salto empurrar uma economia já esfriando para a recessão;
    • Bancos centrais adotarem políticas monetárias restritivas por causa da inflação energética.

E nenhuma dessas caixas foi marcada até agora. Portanto, apesar da volatilidade — com o S&P 500 oscilando e caindo até 2,5% num dia — a chance de um crash imediato parece remota. Jonathan Krinsky, da BTIG, lembra que movimentos bruscos causados por tensões geopolíticas geralmente são oportunidades táticas para comprar, não vender.

Comprar na baixa: aposta certeira ou armadilha?

Se “comprar na baixa da guerra” funcionou no passado, não significa que vai se repetir aqui. A dinâmica atual é diferente. O combustível financeiro da crise não está só no medo da guerra, mas na ameaça real de crise energética global. Se o preço do petróleo disparar de verdade, isso pode esfriar a economia e cortar o rali das bolsas no meio do caminho.

Por enquanto, o mercado aposta na cautela e nos ganhos pontuais. Mas o risco no horizonte é claro: se a tensão aumentar e o petróleo disparar, o jogo muda completamente. Resta saber se os investidores vão perceber isso a tempo.

Fonte: cnbc

—-

Aviso Legal: Este conteúdo tem fins exclusivamente educativos e informativos. As informações aqui apresentadas não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. Investimentos envolvem riscos e decisões devem ser tomadas com base em sua própria análise ou com o auxílio de um profissional certificado.

O site https://calculadoraporcentagem.com.br preza pela transparência, porém, não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base neste conteúdo. O mercado financeiro é volátil e cada estratégia deve ser individualizada. Antes de investir, consulte um assessor de investimentos credenciado pela CVM.