Tarifas EUA caem: o impacto que ninguém esperava na economia global
A Suprema Corte dos Estados Unidos mexeu com o tabuleiro da economia global ao derrubar as tarifas impostas pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A enxurrada de mais de US$ 175 bilhões em arrecadações que podem ter de ser devolvidas deixou o mercado em polvorosa. O que essa decisão realmente significa para os preços nos EUA e para o câmbio aqui no Brasil? Vamos destrinchar.
Preços nos EUA: alívio imediato? Nada disso.
Parece lógico pensar que sem as tarifas, os preços nos EUA cairiam como uma pedra, certo? Só que o mundo real não funciona assim. As empresas, durante o “tarifaço”, não atacaram o bolso do consumidor na primeira oportunidade. Pelo contrário, engoliram boa parte do custo para manter clientes e margens. André Valério, economista do Inter, confirma: a margem das empresas ficou espremida, e elas provavelmente vão querer recuperar esse lucro antes de passar o alívio adiante.
Bruna Allemann, da Nomos, ressalta que a poeira ainda vai assentar. Contratos firmados e estoques comprados com tarifas altas não se desmancham da noite para o dia. Vai ser um processo lento e setorialmente desigual – nem todas as prateleiras vão sentir o impacto com a mesma intensidade.
O peso da restituição e o jogo macroeconômico
Mais intrigante ainda é o possível reembolso de US$ 175 bilhões aos importadores. Isso é praticamente um pacote de estímulo fiscal corriqueiro. Felipe Tavares, da BGC Liquidez, alerta que injetar esse dinheiro na economia americana é dar um empurrão extra que vai agitar o ambiente econômico. Mas eis o ponto: essa incerteza e o aumento dos riscos fiscais mexem na percepção da dívida americana, e isso muda a curva de juros, com efeitos diretos para todo o sistema.
O Fed, por sua vez, deve agir com a tradição que lhe é peculiar: esperar para ver. Nada de mudanças bruscas na política monetária, já que o cenário mistura inflação pressionada por importados mais baratos com estímulo administrativo e incertezas jurídicas.
Brasil na contramão do dólar reforçado
Para o Brasil, a decisão americana tem aroma de oportunidade – ou de alívio. Um dólar menos forte é sempre music to the ears do Banco Central, que luta para segurar a inflação. Felipe Tavares lembra que o reflexo já aparece nas taxas de câmbio e juros locais: o dólar já despencou para cerca de R$ 5,18, e a curva de juros também desce.
Mas calma. Bruna Allemann joga um balde de água fria. Um dólar mais fraco ajuda, sim, mas não é bala de prata. Sem uma política fiscal alinhada, controle nas contas públicas e uma percepção de risco sob controle, o efeito pode ser contido, e o consumidor brasileiro não vai sentir muito o impacto.
No fundo, essa novela das tarifas americanas deixa no ar uma certeza: a economia global é um tabuleiro cheio de peças que se mexem simultaneamente, e uma virada de jogo nos EUA não acontece sem repercussões multifacetadas mundo afora.
Fonte: Infomoney
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